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BIOPHILIA

Quando fiz Biophilia, fiquei muito animada por poder finalmente mapear meu sentimento em relação à educação e à musicologia. Na escola de música, quando eu era criança, foi quase ofensivo o modo como fui obrigada a estudar música, ou ressonância, ou timbre, ou escalas – tudo a partir de um livro normal – e ler sobre alguma coisa durante horas.

Se algo era visto e ouvido, precisava ser sentido e se tornar visceral e físico. 10—björk

O sétimo álbum de Björk é Biophilia, um projeto chamado de primeiro álbum-aplicativo porque inclui uma experiência multimídia projetada para acompanhar cada música, criando oportunidades para interações a partir de um iPad que não só permitem ouvir a música da Björk, mas também transformá-la em nova música enquanto se navega em cada projeto. Biophilia ganhou vários prêmios quando foi lançado em 2011 e se tornou o primeiro aplicativo a integrar o acervo do MoMA de Nova York.
Além de produzir mais uma impressionante inovação tecnológica/criativa, Biophilia também é fora de série na obra de Björk, pois se baseou em dois anos de pesquisas anteriores, quando a artista e o recém-descoberto parceiro James Merry exploraram tudo, desde a teoria das cordas até caracóis, vírus, DNA e estruturas cristalinas. Merry diz que essa fase de estudo intensivo foi única no fluxo de trabalho usual de Björk, pois ela geralmente faz um álbum e considera seu significado posteriormente. No entanto, com Biophilia, Björk tinha uma missão: criar conexões entre música, natureza e tecnologia, além de proporcionar formas de aprendizado vitais e interativas aos jovens.
Famoso por seus trabalhos pioneiros em design interativo, realidade aumentada, interfaces baseadas em gestos e videoarte digital, o artista midiático Scott Snibbe fez parceria com Björk e os designers M/M na criação de três aplicativos do álbum, e produziu o restante dos aplicativos conforme a visão de Björk; também criou a interface geral, projetada como uma constelação que acompanha a música “Cosmogony”.
Cada obra do projeto maior junta o aprendizado sobre um conceito científico com uma interação musical. “Crystalline”, projetado por Luc Barthelet, mostra as semelhanças entre o desenvolvimento dos cristais e as estruturas comuns da música. “Você viaja dentro dos cristais e, por exemplo, decide que esse é o primeiro verso; e agora eu quero que o terceiro verso se repita três vezes e, depois, o refrão, 52 vezes, para que você possa fazer sua própria estrutura estelar”, explica Björk, em um dos vídeos educativos do projeto.
Entretanto, essa explicação apenas insinua os prazeres de “Crystalline”. Para percorrer este projeto extremamente colorido, você inclina o iPad, movendo vários cristais por túneis, sendo que tudo equivale a uma visualização da música; por meio de seus movimentos, você pode decidir sobre como reestruturar a música, e essa exploração espacializada da música constitui uma maneira brilhante de reimaginar a música e os cristais.
Para o aplicativo “Moon”, projetado por Max Weisel, o sequenciamento das músicas está ligado aos ritmos da lua e das marés; “Hollow” conecta DNA e ritmo; “Dark Matter” trata de escalas musicais; e “Sacrifice” explora a notação musical. Em resumo, cada projeto é uma contribuição encantadora para nossa compreensão da natureza e da música.
Sabe-se que a prática de composição de Björk é incorporada à natureza exterior, seja subindo e descendo montanhas, passeando por praias vastas, escondendo-se em fendas úmidas e estreitas, e fazendo tudo isso sob sol ou chuva. Considerando-se essas conexões intensamente físicas entre o corpo, a música e os elementos da terra, não surpreende que a artista procure compartilhar amplamente essa abordagem criativa e pedagógica.

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